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Whiteness is a long-term system, from ancient colonialism to present-day capitalism. Thus, it determines the value of people in the labour market, reproducing the opportunity to exploit third-world countries, migrants, and racial minorities. Because we are now living in a period of racial struggle between deconstruction and reinforcement of white privilege and whiteness as ideology, I cannot finish this essay without looking into a paper that stresses the intersection between whiteness, populism and the working-class (the most racialised category). I am choosing Aurelien Mondon and Aaron Winter’s 2018 article for that. For the authors, following precedent work, 2016 was a turning point “in the mainstreaming of reactionary and particularly racist, Islamophobic and xenophobic political movements, agendas and discourses” (p. 1). Both Trump’s election and Brexit were grounded on the so-called “working-class”, seen as alienated, white and indigenous. This unidimensional imaginary about the working-class allowed their construction as “the people”, as pointed out by the authors (p.3) and many others. As argued, since the 2008 crisis, we saw a growth of a racialised nationalism based on a “deep sense of loss of prestige; a retreat from the damaging impact of a globalized world that is no longer recognizable, no longer British’.” (idem). This placed a severe trauma on white people since it meant a decline of whiteness and a vulnerability to victimisation by others. As a consequence of this racial destabilisation, the campaign for Brexit was focused on the slogan “We want our country back”. For Farage, the victory of the leave was for the good, decent, and ordinary people. In other words: a victory for the British against dangerous immigrants.  In line with a consensus in the literature, Cardoso (idem: 622) places this struggle against immigrants as part of cultural racism embodied in racial nationalism. The concept of immigrant would replace the category of “black” in this racial process. Then, cultural identity was placed in a higher rank than economic…

The concept of Culture Wars was brought from the German term kulturkampf, created in the context of the dispute between Bismarck and the Catholic Church in the 19th century. It refers to the opposite perspectives on life, the role and place of religion in daily affairs, societal models, and values. According to Hunter (1991, 1996) and Wuthnow (1996), the designation of culture wars is related to conflicts about issues related to nonnegotiable conceptions embodied in cultural and moral spheres. As Hunter (1991) points out, the polarisation in American society presents a high risk to democracy since each side positions itself as the owner of the truth. For that reason, I use the idea of the great divide (Ferreira Dias 2022, under press), referring to incompatible worldviews between a globalist left and a nativist right. The core of this division is not based on economic issues but post-material ones. As Fukuyama (2018) stated, if 2oth century left was embracing workers’ rights, welfare programs and redistributive policies, it is now involved in the agenda of marginalised groups – ethnic minorities, immigrants, refugees, women, LGBT. The same operates to the right that once focused on reducing the size of government and promoting the private sector and is now engaged in traditional patriotic identity. The struggle is thicker due to last decade’s globalisation, a world phenomenon that created societies experiencing drastic economic and social changes, becoming diverse and multicultural. The 2008 financial crisis gave room to the emergence of populist parties, both on the left and right. However, Populist Radical Right (PRR) parties and actors played a central role in directing discontent and resentment from a white working class that feels to be left behind and “stolen” by a “corrupt elite” (v.g. Taggart, 2000; Mudde, 2004; Moffitt, 2020). A significant example is the election of Donald Trump and the Brexit (v.g., Mondon/Winter 2018). Thus, the last decades have experienced significant changes in public politics.…

Zúquete, José Pedro (2018). The identitarians: The movement against globalism and Islam in Europe. University of Notre Dame Pess.

Neste texto é feita uma abordagem em forma de resenha à obra de Zúquete, um dos mais proeminentes autores sobre o populismo no Ocidente.

O sociólogo José Pedro Zúquete vem realizando um trabalho de grande relevo em matéria de populismo e questões identitárias máxime no Ocidente, onde se evidente uma disputa entre nativismo e globalismo. Na obra conjunta com Charles Lindholm, é traçado o panorama da oposição, da esquerda à direita, ao que chamam de «globalização capitalista», dando relevo à defesa das identidades locais. A crise de 2008 é, em rigor e doutrina comum, o grande marco histórico que acelera a dissolução do consenso mais ou menos alargado da mais-valia da globalização, trazendo ao de cima as vozes de protesto, ampliando-as e dando-lhes terreno para disseminação. É esse quadro que subjaz à obra The Identitarians: the Movement against Globalism and Islam in Europe, obra de Zúquete de 2018, que aparece numa linha de continuidade de inúmeras publicações sobre a matéria em revistas científicas. A obra é para o autor uma crónica de uma rebelião, onde os rebeldes são ativistas e intelectuais da extrema direita que se mobilizam em torno da defesa da identidade dos povos europeus, contra os desejos de uma elite que utiliza a globalização para integração e homogeneização das sociedades, expansão dos mercados, da democracia, gerando assim um universalismo perverso à custa do apagamento das diferenças etnoculturais inerentes às diversas sociedades. Desse modo, tais identitários levantam-se, no seu entendimento, em defesa do direito de os povos europeus continuarem a existir enquanto biocultura. O discurso nacionalista e hostil a estrangeiros – sobretudo no garante da unidade cultural e identitária –, é partilhado por diversos movimentos de extrema direita, não sendo um exclusivo de determinado partido ou movimento. Na condição de movimento, os identitários são um fenómeno recente, tendo por principal marco a fundação do Genération Identitaire, em 2012, em França, de onde se espalhou por grande parte da Europa, procurando influenciar o debate político europeu através do enfoque à identidade cultural e biológica europeia. É na compreensão do movimento identitário que Zúquete inscreve…

EDDO-LODGE, Reni (2021). Porque deixei de falar com brancos sobre raça. Lisboa: Edições 70.

Neste livro, Reni Eddo-Lodge, jornalista, parte de um post no seu blogue para realizar uma reflexão e um levantamento histórico sobre a forma como o racismo estruturou a sociedade inglesa e a forma como persiste a racialização da sociedade britânica.

Reni Eddo-Lodge traz um importante levantamento histórico e um relato biográfico para um tema que é cada vez mais consensual nas academias ocidentais: a da existência de um racismo estrutural longue durée que condiciona, limita e atropela as possibilidades das pessoas de cor (termo da autora) desde o seu nascimento. Trata-se de um quadro racializado em que as pessoas não-brancas e em especial negras se encontram numa situação de marginalidade permanente, dificuldade de acesso a empregos, a remunerações iguais, e igual tratamento judicial. A associação entre tom de pele e crime encontra-se presente no imaginário dos agentes policiais desde a academia, onde o racismo negado é produtor de uma desconfiança e tratamento desigual. Acresce uma circunstância em que o tom de pele estabelece a posição na sociedade como nativo ou imigrante, independentemente do número de gerações que se contam no país. A memória coletiva britânica, como mostra Eddo-Lodge, é feita de amnésia sobre o colonialismo inglês, sobre a violência racial, sobre a escravatura e comércio de escravos, sobre os portos de escravos dentro da Grã-Bretanha, sobre o uso abusivo de povos colonizados como soldados sob promessas vãs de liberdade colonial. É, ao mesmo tempo, daltónica, porque ao invocar não ver raça evita o debate sobre o racismo, sobre a condição marginal e segredada das pessoas de cor, as suas dificuldades diárias, a necessidade de provar continuamente o seu valor. Como bem aponta a autora: por que motivo o mérito é uma condição exclusiva de homens brancos de meia-idade? Eddo-Lodge desenrola com coerência um conjunto de acontecimentos e referências bibliográficas sobre a receção do antirracismo que nos mostra como a questão se pretende resolvida pela não-referência, uma vez que a luta antirracista é uma luta que visibiliza as pessoas negras. Ao mesmo tempo, bem alerta a autora que o debate sobre o racismo coloca as pessoas brancas numa posição desconfortável que tende a gerar rejeição, o que implica que as vítimas…

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo Estrutural. São Paulo: Ed. Jandaíra – Coleção. Feminismo Plurais (Selo Sueli Carneiro).

Nesta obra, Sílvio Almeida apresenta uma longa e cuidadosa reflexão sobre a noção de racismo estrutural, nas suas variadas formas, no Brasil, a partir da Teoria Crítica da Raça, e oferecendo importantes aportes para a reflexão noutras geografias.

No âmbito da coletânea “Feminismos Plurais” de Djamila Ribeiro, surge esta publicação de Sílvio Almeida. A emergência dos estudos sobre raça, com vigor a partir da Teoria Crítica da Raça surgida nos anos de 1980 no âmbito dos Critical Legal Studies, na Universidade de Harvard, deram origem a uma produção sem par sobre o racismo. A disseminação dos estudos norte-americanos para a América latina, deu origem à construção de um consenso alargado sobre o que constitui o racismo, tornando-se uma teoria-militante que se globaliza rapidamente, aparecendo como dispositivo metodológico e teórico para interpretar a inserção de pessoas racializadas em todo o Ocidente. Esta obra integra esse quadro conceptual da Teoria Crítica da Raça, sem, contudo, deixar de oferecer importante contributo, sobretudo pela capacidade de sistematização.  Como refere Almeida, a história da raça liga-se à constituição política e económics das sociedades contemporâneas, através da expansão comercial burguesa e da cultura renascentista que produziu o homem universal a partir do homem europeu civilizado. As revoluções inglesas, americana e francesa, reorganizaram o mundo por via da transição de sociedades feudais para capitalistas. Esse modelo civilizacional da liberdade, da igualdade, do Estado de Direito e do mercado, seria, então, levado aos selvagens/primitivos do mundo. O colonialismo tornou-se, então, num projeto de civilização universal, que como Mbembe afirma, se tornou numa verdadeira experiência de brutalidade antiliberal. Sabemos que no quadro do humanitarismo jurídico do século XVIII em diante, surgiram inúmeros debates sobre a legalidade e a ética da exploração humana da escravatura e a violação da autodeterminação dos povos que constituia o colonialismo. Não obstante, o projeto universal liberal fracassou e teve na Revolução Haitiana o seu marco mais determinante.  Na justificação da exploração, emerge a tecnologia teórica europeia da classificação dos seres humanos, legitimando e justificando a exploração, submissão e destruição das populações colonizadas, “selvagens”, “irracionais”, “animais”, “sem história”, etc. Assim, nascem o determinismo biológico e o determinismo geográfico como fundamento “científico” de justificação…

José Pedro Zúquete (2022), Populismo: Lá fora e cá dentro, Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Neste livro, José Pedro Zúquete realiza um périplo pelo conceito e exemplos de populismo, partindo de um quadro internacional para se focar no estudo de caso português, mostrando como o populismo está entre nós há bastante tempo, desde o começo da República. Um verdadeiro manual sobre o tema, um livro obrigatório para compreender o fenómeno político do populismo.

José Pedro Zúquete tem se destacado pelos seus estudos sobre o populismo. Não é pois surpreendente que tenha sido escolhido para redigir este livro para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, cuja natureza é muito mais de manual do que mera sistematização, bem patente na diferença de volume face às demais publicações da fundação. A obra marca, desde logo, em linha com a vasta literatura sobre o assunto, por nos apresentar o populismo como uma forma de fazer política transversal a todos os quadrantes políticos e partidários, vindo a manifestar-se em Portugal desde o começo da República, donde se compreende que a interpretação estrita do populismo como uma inauguração do Chega na política portuguesa corresponde a uma precipitação derivante de uma conjuntura internacional derivada da emergência de Trump e consolidação de Le Pen.  A obra oferece-nos um primeiro olhar internacional, dando nota das vagas populistas ao longo da história do Ocidente, com o American People Party (“POPS”) que no final do séc. XIX mobilizou milhões de pessoas nos EUA em torno de uma ideia de solidariedade de classe e combate aos excessos do capitalismo, com os casos sul-americanos, a partir de 1945, de Velasquismo no Equador, o Peronismo na Argentina e o Varguismo no Brasil, baseados na mobilização nacionalista das massas descamisadas, e com uma nova vaga na viragem para o século XXI com revolução bolivariana de Hugo Chávez, os regimes de Evo Morales na Bolívia e Correa no Equador, além dos casos de Jair Bolsonaro, Donald Trump e Narendra Modi, de uma direita nacionalista étnica, racial e das “pessoas de bem”. É a partir deste casos que Zúquete irá mergulhar no contexto europeu, dando conta o que poderíamos chamar de DNA do populismo. Para o autor é Le Pen pai quem inaugura o populismo de direita na Europa, dando origem a uma vaga que se espalha pelo continente, sobretudo a partir de 1980. É nele que se encontram as…

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