rito constitui tema central da Antropologia da Religião, constituindo-se, nos termos de W. R. Smith, “a religião antiga na sua totalidade”. Segundo o autor, “primitivamente, a religião não era um sistema de crenças com aplicações práticas, mas sim conjunto de práticas tradicionais fixadas, às quais se submetiam todos os membros da sociedade”. A hipertrofia ritual configura aspeto central nas religiões antigas e de estrutura antiga, como é o caso das religiões de matrizes africanas. Nessa linha, Radcliffe-Brown afirma que as crenças têm um caráter muito mais variável e volátil face ao rito, o qual se apresenta de modo mais consistente e perene, razão pela qual, segundo ele, devem ser os ritos o objeto de estudo privilegiado da disciplina. Para Durkheim, o rito comporta uma dimensão social, tem um caráter de repetibilidade, desempenha uma função específica no interior de uma sociedade. Na esteira de Freud, Malinowski concebe uma dimensão psicológica no ritual, o qual funcionaria como catártico e tranquilizador. Além disso, Malinowski observa uma dimensão «mágica» no ritual, resultante do facto da sua eficácia residir nele próprio, i.e., quando convoca um poder imanente (o mana), distinguindo-se, na sua ideia, da dimensão «religiosa», a qual ocorre quando a sua eficácia depende da intervenção de potências externas ao rito (deuses e espíritos). Marcel Mauss deu um contributo decisivo na abordagem teórica ao rito. Segundo este, o rito é um “ato tradicional” adotado pela coletividade ou por uma autoridade por aquela reconhecida, e que versa sobre coisas concebidas como “sagradas”. Para Mauss o rito tem a função coercitiva de manipular as coisas por via de oferendas e pedidos. Victor Turner, por sua vez, considera que o estudo dos rituais deve ser acompanhado do estudo dos símbolos, afirmando que os símbolos são multívocos, i.e., representam várias coisas ao mesmo tempo. Para Turner, a vida religiosa apresenta características próprias da communitas, tendo “qualidades de passagem”. Enfim, para Turner o ritual é um sistema de símbolos que “armazena saber tradicional”, possuindo um caráter rígido e repetitivo, possuindo uma carga dramática que permite ao grupo superar divisões e reafirmar a unidade.

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